O Casamento da Dona Baratinha – Parte III
A Auxiliar da Estilista, O Vestido, E Quando As Coisas Pareceram que Andaram para Trás
Comecei a procurar o guipir para fazer o vestido, fui a umas mil lojas de tecido diferentes e o problema era o mesmo, o valor da metragem que se precisava para fazer o vestido era mais cara do que o que estava sendo cobrado pela costura. A solução foi esquecer o guipir e passar para algo menos estruturado e menos regional e buscar uma gaze para fazer o vestido branco com fundo lilás e mais esvoaçante, tivemos que reduzir a amplitude da saia porque o lugar que eu escolhi para me casar VENTA horrores e noiva mostrando a bunda para os convidados ia terminar em divórcio mega-power-plus-rápido (provavelmente no próprio lugar da celebração do casório). Meio a contragosto comprei o tecido e deixei lá na casa da costureira simpática.
Conseguimos alugar um apartamento maravilhoso por um preço mais maravilhoso ainda, e já estávamos colocando as coisas que compramos nele. Aqui vale uma menção honrosa ao Arthur e eu pintando o apartamento TODO de branco. Sim, porque não dava para ser diferente, o apartamento era todo “amarelo sabiá rei sol” e a primeira vez que entrei nele tive que procurar meus óculos escuros na bolsa para não ficar absolutamente cega. Fizemos um mutirão de três pessoas, eu, Arthur e Kéu, e passamos todo um fim de semana pintando paredes (e nos pintando junto). Íamos almoçar na padaria que tinha na frente do apartamento parecendo 3 bóias frias, e em alguns momentos percebi até que escorreguei na minha própria etiqueta e elegância e comi segurando o garfo como se tivesse comendo em um bandejão de uma linha de produção. Puro glamour para uma noivinha.
No meio disto tudo, fui chamada em uma das escolas que ensino, faltava 10 dias para o meu casamento, e fui informada que eu iria ter uma redução massiva de carga horária, junto com ela uma redução massiva de salário. Mas eu sou uma lady e não me alterei. Fiquei mal, o apê já alugado, 10 dias para o casamento, e eu com o salário reduzido. Pensei até em desmarcar a festa, mas depois pensei melhor e me toquei que eu não podia fazer isso. Eu e o Arthur refizemos as contas do orçamento, as contas da festa já estavam todas pagas, e como Djá escreve certo por linhas tortas, resolvemos que não íamos deixar essa redução atrapalhar planos nossos que começaram em uma bela noite em Santa Tereza enquanto o bondinho conseguido meio que na marra atravessava os arcos da Lapa.
Bom, veio gente do Rio e de Brasília. Meu Milk Shake preferido que também é minha dinda de casamento (internet rende frutos e amigos que podem virar padrinhos sabia?) chegou jurando que quem ia casar era ela e me ajudou como nunca. Mayra chegou faltando cinco dias antes do casamento e dois dias antes fui fazer a última prova do vestido com ela. Aí começou o meu verdadeiro martírio.
A avó de Tatá, minha estilista mega power, faleceu na semana do meu casamento e ela não pode acompanhar o passo-a-passo do vestido. Cheguei com Mayra na casa da costureira simpática e fomos informadas que ela não se encontrava no momento. Detalhe ao fato que fomos recebidas pela auxiliar dela, que demonstrou ser a pessoa mais detestável e arrogante que eu já conheci na minha vida. Veio o vestido de Mini, EXATAMENTE o que eu estava esperando, lindo, ela ficou absurdamente bela. Aí veio o meu vestido, e eu quase caí para trás. Tipo: AQUELE VESTIDO NÃO ERA O QUE ESTAVA DESENHADO NO CROQUI!!! Só que eu sou uma lady e não me alterei. A auxiliar antipática ajeitou o vestido para a última prova, e eu olhava para aquilo e não encontrava o desenho em absolutamente nada, nem nas alças, nem na saia, nem no busto. Mas eu sou uma lady e não me alterei. Provei o vestido e confirmei o que mais me incomodava no que eu via, pessoas, vocês sabem o que é drapeado? É quando você faz milhões de mini pregas em um tecido e costura. Esse tipo de costura engorda e aumenta. E tipo, meu vestido estava todo drapeado NO BUSTO! Amigos deste blog, eu virei a BOING BOING dentro do meu próprio vestido de casamento! Eu não tinha peitos, eu tinha quilos deles. Além de tudo ainda tinha a frase que falei para Tatá quando ela foi desenhar o vestido:
- Amiga, pode preguear, rodar, fazer o que for, mas acho drapeado breguérrrrriiiiimo e não uso nem sob a mira de uma arma!
E lá estava eu, vestindo o que seria o meu vestido de casamento, cheio de drapeados no busto olhando com pavor para a imagem que se refletia no espelho. Mas eu sou uma lady e não me alterei. Não fiz maiores comentários, agradeci, disse que pegaria os vestidos no dia do casamento pela manhã e fui embora. Nem olhei para trás. No caminho para casa Mayra falava mais do que a boca (o que é algo assim, mega comum para ela) elogiando o vestido, falando como o vestido estava a minha cara, como eu fiquei linda, e eu permanecia, muda, dentro do carro. Ela me deixou em casa, eu subi, sentei no sofá, minha mãe chegou na sala, deu um super sorriso e fez a pergunta inevitável:
- E então, está lindo de morrer?
E eu DESABEI de chorar. Falei que aquele vestido eu não usava, que eu tinha um vestido branco no armário que usei em dois Reveillóns e que eu ia com ele mesmo. Minha mãe coitada, não sabia o que dizer. Arthur ligou no meio de tudo isso, e eu só chorava no telefone, Arthur ligou para a Mayra desesperado, porque eu chorava tanto que ele não conseguia entender o que eu estava dizendo, para saber o que estava acontecendo. Mayra tomou outro susto, até maior que o dele, porque como eu sou uma lady e não me alterei, ela não sacou que eu não tinha curtido o vestido, aí quem me ligou foi a Mayra e eu só chorava e repetia que ia usar o vestido que usei no Reveillón. Mas na minha cabeça só passava uma coisa: Faltavam DOIS dias para o meu casamento.
Termino esse post que nem final de novela, deixando o resto para o próximo, mas prometo, o próximo sai do forno na segunda-feira que vem, senão eu vou fazer um ano de casada ainda falando das peripécias casamenteiras, e confesso que estou CHEIA de outras coisas para contar também.
Beijos e Lambidas ao som da musiquinha de Psicose.