O Casamento de Dona Baratinha – Parte II
A Estilista, O Desenho do Vestido e A Costureira
Bom, é de praxe que toda noiva precisa de um vestido. Como dizem as más línguas, a noiva no final de tudo é o centro da festa (e eu estava detestando isso... mentiiiira). Eu não queria casar “de noiva”, mas queria pelo menos casar com um lindíssimo vestido branco. Mas... estilista é caro, costureira “de noiva” é os olhos da cara, e todo mundo mais que sabia que nós não dispúnhamos da mola que move o mundo. O que fazer?
Muitas vezes nesse mesmo blog eu usei a frase: “quem tem amigos não passa maaaaaalll”. Pois então, foi a eles que eu recorri. Tenho duas amigas que acabaram de terminar curso de moda. Então corri para Tati primeiro, perguntei se ela não podia desenhar um vestido simples para mim. Ela aceitou, desenhou quatro modelos lindos, mas ia viajar antes do meu casamento, e eu fiquei insegura de não ter a idealizadora do vestido acompanhando os passos da execução. Aí que o tempo foi passando, eu fui ficando nervosa, o Arthur idem (na verdade, acho que ele estava mais nervoso que eu). Não conseguíamos achar um apartamento para alugar, o casamento estava chegando.
A única coisa que eu sabia é que queria um vestido fashion, e queria que ele fosse todo em guipir, e que queria branco, que não queria longo, e que não queria que tivesse cara de noiva. Simples né? Foi quando entrou Tatá, a outra amiga. Ela se encontrou comigo uma tarde na faculdade, trouxe umas quatro revistas para me mostrar algumas referências, e uma semana depois me apresentou o desenho. A-PAI-XO-NEI. Tudo que eu queria, em guipir, com uma referência regional que seria uma flor feita com vários tecidos, um mega super decotão na frente. Gente, sem noção de tão lindo que ficou o desenho. E ela ainda fez o desenho do vestido de Mini (porque Mini é pheena, né gente?), que seria do mesmo tecido do meu, mas com um desenho diferente, meio moleca meio mocinha.
E agora gente? Já era dezembro, meu casamento aconteceria em quatro semanas e cadê a costureira para executar o desenho em um prazo mais apertado do que... deixa para lá. Vamos lembrar que era DEZEMBRO, ou seja, réveillon, formaturas, e, claro, outros casamentos, pois dezembro é uma das datas preferidas das noivas nordestinas. Ou seja, costureiras abarrotadas de trabalho e GENTEEEEEEEEE faltava três semanas.
Aí Tatá, a guerreira, entrou em campo novamente e conseguiu uma entrevista com uma super-mega-über-fashion-costureira da high society. E lá vamos nós, eu, tremendo mais do que vara verde com medo do $$$ que ela ia cobrar, e Tatá feliz e saltitante por ter uma pessoa mega conceituada para falar sobre o vestido. Chegamos ao ateliê da moça, e ela foi de uma simpatia ímpar, viu o desenho, elogiou Tatá pela execução, e passou horas conversando conosco, falando como ela iria fazer o vestido, e meu ego subindo, como ela ia fazer a costura toda invisível, e meu ego subindo, como o busto ia ficar absurdo no decote, e meu ego subindo, como ela ia fazer um babado lá entre o tecido e o forro para dar sustentação ao busto no decote, e meu ego subindo, como eu ia A-BA-LAR com meu vestido, e meu ego subindo, eis que meu telefone toca, era o Arthur, uma pilha de nervos, eu com o ego lá em cima, eu não sei o que diabos foi que ele falou que eu simplesmente não gostei, desliguei o telefone e... Caí no choro. Entenda, eu não lacrimejei; uma lágrima MAROTA não rolou pelo meu rosto, eu simplesmente DE-SA-BEI ali, na frente da costureira simpática e da estilista prestativa. Tem noção? Eu chorava de SO-LU-ÇAR a ponto de não conseguir falar de tanto que soluçava e chorava ao mesmo tempo. Gente, vocês não têm noção, eu quando choro, por causa da minha cútis desprovida de pigmentação, fico com o nariz de batata, e os olhos super inchados e vermelhos. Eu despenquei de noiva animada para Rudolf, a Rena do Nariz Vermelho em coisa de 30 segundos. Aí vai costureira simpática a pegar água com açúcar e a dizer que ela já havia assistido aquela cena um zilhão de vezes, estilista amiga E prestativa e passar a mão no meu cabelo e pedir para eu me acalmar, e eu chorando, com ódio, só Deus sabe do que, porque hoje eu tento porque tento me lembrar o que foi que o Arthur disse e quem disse que eu lembro? Provavelmente foi uma coisa tão irrelevante que nem valia à pena tanto choro, provavelmente eu não gostei do tom, sei lá, não lembro, só sei que fui do céu ao inferno promovido pela minha própria paranóia.
Alguns exemplos de brigas de noivos às vésperas do casamento depois, e muito ombro de Tatá, retomamos a conversa, e aí veio o valor: R$ 250,00 para meu vestido e R$ 100,00 para o de Mini. Se eu disser que saí feliz com o valor (que não incluía o preço do tecido) eu vou mentir, mas saí repetindo o mantra: O valor está bom uma vez que essa moça cobra R$ 3.000,00 pela costura de um vestido e ela está me cobrando R$ 250,00 por um vestido de última hora. Voltei para casa e acho que repeti isso umas 10.000 vezes até minha chegada em casa.
Próximo passo: Compra de tecido, entrega do tecido na casa da costureira simpática, tirar medidas minhas e de Mini, e esperar a chegada da minha madrinha de casamento para irmos fazer a prova do vestido dois dias antes do casório. Mas isso... claro, eu vou deixar para o próximo post.
Beijos e Lambidas feliz por ter cumprido o prazo deste post.